Coordenadora: Teresa Líbano Monteiro

Políticas de Inclusão Social
Sob a linha da pesquisa das políticas de inclusão pretende-se desenvolver a pesquisa teórica e empírica sobre as novas orientações, metodologias e efectividade dos dispositivos e medidas no campo das politicas de inclusão social quer no domínio dos dispositivos de assistência e acompanhamento social, quer nas medidas e políticas de reinserção social de grupos de risco.

Neste âmbito pretende-se ainda , dar uma particular atenção às questões da Discriminação e Políticas de Inclusão na Sociedade Portuguesa. Desta forma, pretende-se não só prosseguir a investigação sobre o género e a religião, mas também incluir formas de discriminação como as que se baseiam na idade, sexualidade ou na deficiência, enquanto obstáculos à inclusão social (por exemplo, idade, género e sexualidade, v.g. o estudo da sexualidade das mulheres idosas). Além disso, é necessário ter em conta os efeitos combinados de diversos agentes de socialização (família, meios de comunicação social, escola e igrejas), sejam estes efeitos de reforço ou de contradição, como a relação entre a família e os meios de comunicação social, ou entre a família e a escola.

Políticas Públicas e Solidariedades Informais e Familiares
Esta sub-linha de pesquisa pretende fomentar a investigação sobre as solidariedades informais e familiares através do estudo das transformações das relações entre o Estado Social e as Redes de Solidariedade Informal e o inquérito das formas e modalidades concretas da sua expressão, funções, potencialidades e limites na sociedade portuguesa

Políticas Sociais e Organizações do Terceiro Sector
O crescimento, quer em quantidade quer em termos de importância e papel desempenhado de áreas de actuação das Organizações do 3° Sector (ONGs, IPSS’s, Misericórdias, Cooperativas, etc.) é cada vez mais evidente em Portugal, que parece acompanhar o movimento mais global de desenvolvimento de iniciativas da Sociedade Civil.

Trata-se de um Sector que se baseia essencialmente em princípios e valores próprios como: a Solidariedade, a Justiça Social, o Voluntariado, a Participação, etc. e que é constituído por um conjunto de Organizações concebidas enquanto formas de organização original, autónoma e que visam desenvolver formas de solidariedade colectiva, serviços de interesse colectivo e um projecto de transformação social, exigindo, com tal, uma actuação estratégica que se baseie em princípios de qualidade, eficiência e eficácia, e uma gestão assente em processos cada vez mais participados.
Possuindo especificidades próprias é um Sector que parece evidenciar alguns défices, nomeadamente, em termos de gestão e organização. Este tipo de Organizações, ao contrário das outras, do 1° e 2° Sectores (privadas e públicas, respectivamente) revelam níveis baixos de recurso à investigação e à consultadoria. Revelam ainda relações, quer com o Mercado quer com a Tutela, muito desfasadas dos objectivos que, à partida, se propõem prosseguir. As consequências desta realidade traduzem-se frequentemente, no desperdício de recursos humanos e financeiros e na incapacidade de responder de forma adequada às necessidades cada vez mais complexas dos seus clientes e dos contextos onde estão inseridas.
Em síntese parece tratar-se de um sector que exige, cada vez mais, a adopção de formas de organização e gestão que, apostando na tradição e missão original das suas organizações, possa criar mais valor inovando e adequando cada vez mais os recursos disponíveis às necessidades e solicitações das comunidades de fazem parte.
Neste sentido considera-se pertinente o desenvolvimento de uma linha de investigação dedicada a esta problemática. Para a concretizar propõe-se:


• a realização de projectos de investigação fundamental e aplicada de forma a produzir conhecimento e compreensão sobre as lógicas de acção subjacentes aos modelos organizativos;
• a realização de projectos de investigação fundamental e aplicada sobre a economia de valores (filantrópicos, religiosos ou outros) e as teorias emergentes que se descobrem em contextos marcados pela preponderância de práticas de voluntariado, dando uma particular atenção às relações que aí se estabelecem com os quadros de regulação do Estado social e os saberes técnico-profissionais;
• o desenvolvimento e dinamização de acções de formação para profissionais e voluntários destas Organizações;
• a realização de seminários, conferências, colóquios workshops e outras actividades que promovam a divulgação e a discussão com base em boas práticas existentes;
• a integração em redes de investigação do Terceiro Sector de âmbito internacional, nomeadamente a ISTR e EMES;
• o desenvolvimento de parcerias nacionais (nomeadamente com União das Misericórdias Portuguesas, Caritas Nacional, IPSS’s, etc.) e internacionais (nomeadamente em Espanha e França).
• a realização de projectos e serviços de consultadoria que permitam aprofundar o conhecimento dos contextos organizacionais bem como a adopção de práticas de gestão mais inovadoras do ponto de vista social;


Trata-se portanto uma linha de Investigação onde se cruzam conhecimentos de Sociologia, Antropologia e Psicologia das Organizações bem como de Economia Social, Serviço Social e Políticas Sociais. Para o efeito pretende-se apostar numa equipa de investigadores seniores que possa integrar e apoiar estudantes de Doutoramento e Mestrado (nomeadamente Serviço Social por exemplo a partir do Seminário sobre Inovação Social e Organizações do Terceiro Sector do Mestrado).

Territorialização das Politicas Sociais
A territorialização das politicas sociais configura-se hoje uma campo de pesquisa da maior relevância por factores que se pretendem com (i) a reconfiguração do papel do Estado e a defesa de formas interactivas de governo com actores públicos, privados, e sociedade civil, e com (ii) a procura e experimentação de novas resposta aos riscos sociais. O carácter recente de implementação de politicas sociais territoriais em Portugal leva a uma quase inexistência de produção cientifica sobre o seu papel na construção e reforço de territórios mais coesos. Pretende-se neste sub-linha de investigação a realização de estudos e pesquisas sobre os processos de construção da acção colectiva e a estruturação de práticas democráticas e de empowerment nas politicas sociais territoriais no contexto e orientações e medidas dirigidas à requalificação urbana e desenvolvimento social dos designados bairros críticos


Avaliação das Políticas Sociais
A avaliação de políticas públicas constitui hoje um imperativo nas sociedades contemporâneas, quer pelo conhecimento que produz ao nível da compreensão dos factores que interferem na produção dos fenómenos sociais, como da qualificação das respostas (técnicas, organizacionais e políticas) aos problemas sociais. No entendimento da avaliação como processo de construção de conhecimentos e campo de saberes e de métodos científicos, pretende-se nesta sub-linha de investigação aprofundar o referencial teórico-metodológico da avaliação das políticas públicas em articulação com o desenvolvimento de avaliações de processos de implementação e gestão de políticas públicas sociais particularmente em domínios como a organização e prestação de serviços sociais, formação profissional, inserção socioprofissional e inclusão.

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